Depois de imergir novamente no mundo da literatura, impossível não se empolgar com os desafios de leitura, ainda mais quando se encontra outras pessoas com o mesmo ânimo... Pois é, como eu já estava acompanhando e até já citado o maravilhosocanal da Claire Scorzi, estou me preparando para a meta de um livro por dia que ela lançou para o mês de Setembro. O desafio foi inspirado no livro O ano da leitura mágica da Nina Sankovitch, em que ela se propôs a ler um livro por dia, durante um ano! Contudo, entretanto, todavia... convenhamos que um ano é realmente uma grande proeza... Penso que um mês 'tá de bom tamanho só pra termos o gostinho da dificuldade... hehe Ótimo pretexto para ler alguns clássicos que sempre procrastinei. Em vez de resenhas escritas vou registrar tudo em vídeo no meu canal do Youtube (a parte mais difícil!)
Há tempos, era minha vontade entrar num retiro literário pra retomar o gosto e o hábito pela leitura. Finalmente Julho foi o mês q mergulhei de cabeça nisso... Comprei muitos livros, um Kobo e finalmente me empolguei. Li:
- O ano da leitura mágica da Nina Sankovitch - Vermelho Amargo do Bartolomeu Campos de Queirós - O filho de mil homens e A máquina de fazer espanhóis do Valter Hugo Mãe Encontrei bons canais do Youtube como a da Claire Scorzi que mais do que dar boas dicas, só a paixão dela pelos livros já te inspira a ler mais. Série: De tantos elogios a Suits resolvi encarar e comprovar: realmente demais! Estou terminando a terceira temporada.
No cinema, o encanto ficou todo em Wes Anderson , com fantástico O Grande Hotel Budapeste... que me fez assistir todo o resto da filmografia dele.
Férias antecipadas por causa da Copa, dias tranquilos, coração sereno... ô coisa boa!
Livros e Filmes
No cinema, claro que o filme mais aguardado foi A culpa é das estrelas... mas o que me surpreendeu e se tornou um dos meus favoritos foi O homem duplicado
***
O q mais ouvi esse mês: Lorde, Pete Yorn e Scarlett e Arctic Monkeys
Que saudade dos tempos de blog! E minha surpresa maior ainda é ver o número de visitantes q passam por aqui por mês... Em tempos de facebook achei que os blogs seriam facilmente esquecidos, mas visitando alguns que eram meus preferidos, vi que sobreviveram! Aliás, blogueiro hoje virou até profissão! Foi bom ver que alguns continuam com aquela aura de simplicidade, inocência, recheados de pequenos mimos do cotidiano que passam longe da superexposição viciante do face.
Pensando bem, deu saudade de mim... mas aí é outra história...
Pra não perder o costume, recomendo uma das minhas músicas preferidas :*
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Random feelings
Tem dias que parecem infinitos... tenho passado por dias assim. Acordo querendo ficar nos sonhos, lembro todos os porquês, de todas as angústias e me arrasto para as obrigações. O tempo fica lento... pura pirraça. Uma música ali, um chat aqui e a gente vai se animando um pouco. Quando a gente percebe, já está fazendo planos com os olhos brilhando. Que bom que é assim. Que bom que existem músicas, pessoas, imagens, sabores e vontades infinitas para nos impulsionar...
Vivemos na cultura da felicidade. "seguir nossos sonhos, ouvir o coração, não desistir do que se quer..." Ideias românticas, seduzem e iludem. Não estou sendo pessimista, apenas pensando nas implicações de se levar tão a sério uma busca que, para mim, foi infrutífera e dolorosa. Aliás, o problema não está na busca, mas sim no que se deseja.
Há uns anos atrás, visitei uma exposição da fotógrafa Marie Hippenmeyer. As fotos eram em preto e branco, algumas paisagens, outras um tanto indefinidas, borradas... Juro que não entendi o porque de estarem expostas. Como estava num curso de formação, poderia conversar com a fotógrafa ao final da visita. E foi nesse momento que minha percepção sobre fotografia mudou... Ela perguntou o que sentíamos enquanto estava vendo as fotos e eu fui sincera dizendo q estranhei porque estava acostumada com outros tipos de fotos. Aquelas me levavam a sentir como se estivesse sonhando. Ela sorriu e eu entendi. Era isso. Uma atmosfera onírica captada não pelas melhores câmeras ou celulares, mas por uma simples câmera de plástico. A intenção era simplesmente se deixar transportar...
Foi aí que verdadeiramente começou meu interesse pela fotografia. Percurso prazeroso, quase de redescoberta do mundo à volta. Mas pra conservar muito desse prazer pela fotografia, procurei fugir um pouco dos cliques desenfreados e do desespero pela perfeição técnica, voltando para a fotografia com filme. Muita expectativa e muita decepção, mas também um prazer quase infantil em ser surpreendida pela fotografia. Como a experiência de hoje, em que revelei um filme preto e branco, tirado pela Diana F+ uma câmera de plástico. O laboratório não quis nem escanear... disse que tinha saído tudo encavalada, não compensava. Não insisti, mas vim embora e pesquisei como escanear em casa mesmo, fiz e aí estão. Prazer incompreendido. Mas imenso.
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!"
Mario Quintanta
Às vezes, é PRECISO se afastar, estar num lugar diferente, nos relacionar com pessoas desconhecidas, resolver problemas básicos... ficamos diante do essencial do nosso ser, o que somos de verdade, sem máscaras. E de repente, nos redescobrimos, fortes, inspirados e capazes.
Enfim... eu só fui até ali e voltei... Pouco tempo, pouca distância. Mas as pessoas que eu conheci, as trocas, a diversão, o mar, o novo... revigoram!
quarta-feira, 10 de julho de 2013
“Olhe, não fique assim não, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. (Fernando Pessoa escreveu, num momento parecido, “hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu"). Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar, mas aguenta: as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás. Você acha que não, porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traquéia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo – é difícil de acreditar, eu sei – vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. Como cantou Vinícius: "É melhor viver do que ser feliz". Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o unico jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.”
Eu e meus balanços periódicos... Durante um bom tempo, tive o privilégio de conviver com pessoas lindas por dentro. Sofria por muitos motivos, mas era reconfortante estar cercada de pessoas sensíveis e acolhedoras.
O contrário aconteceu nesse semestre... Um choque. Térmico, drástico. Com ventos fortes, trazendo e levando gente fria e egoísta. Me contaminei, congelei. Só comprei as piores ideias, fiz as piores escolhas e tanto erro consecutivo me levaram a um abismo interno, um cair vertiginoso. No espelho, as olheiras, rugas e melancolia escancarada. Nem lágrimas, nem ternura. Experimentei veneninhos diários que lentamente mataram quase todas as certezas e sonhos que demorei tempos pra juntar. A culpa é minha, eu sei. Só nos deixamos atingir se estamos vulneráveis. Lição aprendida.
Ainda me resta acreditar nas fases... principalmente no fim delas. Ainda mais essas fases que nos derrubam, tiram nossas energias como se fossem doenças...
Mas como diz Rilke: "É preciso ter paciência como um doente e ter confiança como um convalescente, pois talvez o senhor seja ambas as coisas. Mais ainda: o senhor também é o médico que tem de tratar de si mesmo."
No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
Obrigações morais e civis?
Complexidade de deveres, de consequências?
Não, nada...
O dia triste, a pouca vontade para tudo...
Nada...
Outros viajam (também viajei), outros estão ao sol (Também estive ao sol, ou supus que estive), Todos têm razão, ou vida, ou ignorância simétrica, Vaidade, alegria e sociabilidade, E emigram para voltar, ou para não voltar, Em navios que os transportam simplesmente. Não sentem o que há de morte em toda a partida, De mistério em toda a chegada, De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros, Dançam e são empregados no comércio, Vão a todos os teatros e conhecem gente... Não sentem: para que haveriam de sentir? Gado vestido dos currais dos Deuses, Deixá-lo passar engrinaldado para o sacrifício Sob o sol, alacre, vivo, contente de sentir-se... Deixai-o passar, mas ai, vou com ele sem grinalda Para o mesmo destino! Vou com ele sem o sol que sinto, sem a vida que tenho, Vou com ele sem desconhecer...
No dia triste o meu coração mais triste que o dia... No dia triste todos os dias... No dia tão triste...