terça-feira, 4 de outubro de 2011

Receita pra lavar palavra suja


Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
Depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar
e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,
que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer
é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente
sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo,
a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo,
sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode,
o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido...

(V. Mosé)

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Construindo

"Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão..."

Vinícius de Moraes







sábado, 17 de setembro de 2011

Com amor... da idade da razão

Você já pensou em escrever uma carta pra você mesmo receber daqui a algum tempo? O que escreveria?
Eu fiz isso há uns anos e pelo que me lembro vou receber ano que vem... rs Na verdade, não foi uma carta, foi um email através desses sites feitos pra isso mesmo.
Pode parecer coisa de quem não tem o que fazer, mas quando descobri o site achei que poderia ser uma boa forma de imaginar como eu mudaria ao longo do tempo.
Quando pego meus diários de adolescente, vejo quais eram meus planos, meus valores e o que não mudou - a minha essência. Mas a ideia de uma carta para o futuro me pareceu quase que um desafio de manter ou não algumas metas... Nem me lembro o que escrevi, mas lembro que foi um exercício interessante.

Bom, na verdade só lembrei desse bendito 'email do futuro' por causa do filme Com amor... da idade da razão. (além da sinopse, dá uma olhadinha no site - um dos meus preferidos pra downloads de filmes). Filme bem levinho que aborda esse resgate da essência, tão fácil de se perder hoje em dia.


O Vento e eu

O vento morria de tédio
Porque apenas gostava de cantar
Mas não tinha letra alguma para a sua própria voz,
Cada vez mais vazia...

Tentei então compor-lhe uma canção
Tão comprida como a minha vida
E com aventuras espantosas que eu inventava de súbito,
Como aquela em que menino eu fui roubado pelos ciganos
E fiquei vagando sem pátria, sem família, sem nada neste vasto mundo...
Mas o vento, por isso
Me julga agora como ele...
E me dedica um amor solidário, profundo!


Mário Quintana

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Balanço do mochilão


Foi incrível. Conheci lugares lindos e pessoas maravilhosas. Continuaria por mais alguns dias se não fosse o cansaço e o peso da bagagem (fui comprando, comprando, comprando que voltei com o triplo do peso!).

A intenção era realmente ir postando durante a viagem, mas aos poucos foi ficando difícil achar lan house. No albergue em Ouro Preto tinha acesso à internet, mas era muito lenta. Quando dava, eu postava as fotos no facebook e isso já levava no mínimo uma hora.

Visitei: Inhotim (Brumadinho), Ouro Preto, Mariana, São João Del Rei, Tiradentes e São Tomé das Letras.







Mais fotos no meu Flickr

Inhotim:  http://www.youtube.com/embed/kLDpVtkm-gY?fs=1




sábado, 3 de setembro de 2011

Efeito Inhotim

Agora eu sei o que é a Síndrome de Stendhal... Por mais que eu já tinha ouvido falar de Inhotim, a sensação de estar lá é única. O lugar é lindo, como um parque ecológico. É surreal estar caminhando pela natureza e encontrar obras e galerias fantásticas de arte contemporânea. Os artistas, a maioria eu já conhecia. Aliás, os da bienal em peso estão lá. E quem diria, uma das primeiras obras q eu vi foi a do Olafur Eliasson! (a próxima exposição do Sesc será desse artista). Passei um bom tempo conversando com a monitora da obra dele, uma estudante de Direito, mas encantada com arte... (já conheço essa história, rs)
Tive que ser regulada pra tirar fotos, levei uma câmera pequena e como não conhecia o tempo de duração da bateria, não tirei muitas fotos. (Até agora não achei um lugar aqui que aceita passar fotos para o computador, nenhuma forma de Usb... afff.)  Logo faço uma postagem falando sobre as obras q mais me encantaram.

Á noite, fui numa festival de cinema Indie. Assisti "Ex isto" com o João Miguel (o mesmo ator q vai fazer o Orlando Villas Boas no Xingu - Sesc me persegue o tempo todo!) A história é de René Descartes como se estivesse no Brasil, ainda por cima sob efeito de alucinógenos... rs Confesso q ainda não estou preparada pra cinema cabeção, mas valeu a pena as imagens belíssimas do filme.



Eu pretendia passar o dia conhecendo BH, mas o trânsito aqui é tão caótico qto SP, tudo muito longe... no way. Quero mais é sair do clima de cidade grande. Tô indo pra Ouro Preto. Fui!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Planejando o mochilão Minas Gerais

Tentando me organizar.  Decidindo o que levar - como vou conseguir sobreviver sem meu netbook? e a chapinha? afff, melhor levar... rs
- Vendo a previsão do tempo -  diz q não, mas já pensou se chove a semana inteira em MG?
- Separando as músicas do celular - tenho que deletar Adele, Nina Simone, Portishead... rs Talvez vá Bob Dylan, Creedence, Patti Smith, Feist, Eddie Vedder...
- Pra ler no caminho, algo light do tipo 'Rubem Alves' - leitura doce pra ser saboreada aos pouquinhos. Ou quem sabe Assim falou Zaratustra? Nietzsche nunca é demais, além do q ainda não li o q eu garimpei 'novinho' no sebo, por "5 real"!
- Ops, estou esquecendo de uma coisinha: a passagem! Fui!

Pra combinar com esse céu cor de nada:

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aprendendo a parar

É estranho mudar completamente a rotina. O tempo fica mais lento, as angústias mais evidentes, as perguntas mais insistentes... mas às vezes é fundamental. Lembrei de um texto do Jorge Larrosa que me fez refletir em cada palavra e que vale a pena reler de vez em quando:

(…) ”A experiência, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer um gesto de interrupção, um gesto que é quase impossível nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço. “

(Notas sobre a experiência e o saber de experiência)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Tipo, uau!


A Viagem

Sabe quando nada mais parece ter graça? O que você quer, não pode. O que tem, não é o bastante. O que sonhou, está bem longe de se realizar. Estagnação, desânimo. Caos exterior e marasmo interior.  E o que fazer diante disso? Ainda não sei, mas resolvi pelo menos tentar descobrir, fazendo uma viagem. Há dias venho tentando planejar, mas vejo tudo tão cinza q mesmo a variedade de roteiros e possibilidades não me animam.

Resolvi então pôr o pé na estrada sem muito planejamento. Mochilar como eu fazia quando adolescente... mais do que conhecer o que tinha lá fora, eu voltava conhecendo o que tem dentro de mim.
Decidi ir pra Minas Gerais. Sempre gostei do clima, das cachoeiras, montanhas... Ainda não decidi se vou de ônibus pelo sul do estado ou de avião para BH e ir descendo. As cidades obrigatórias são Brumadinho (para conhecer o centro de arte contemporânea de Inhotim) e Ouro Preto.Vou ficar em hostel para economizar, já que não sei quanto tempo vou ficar. Prefiro não criar expectativa nenhuma. Como meu querido Gasparetto diz: "sem expectativas, sem decepções". Mas quem sabe, eu volte de lá vendo o céu mais azul?

Blog

Ás vezes, quando não enxergamos direito o que está à nossa frente, temos que nos afastar para ver melhor. Assim tenho me afastado de muitas coisas para filtrar, analisar e decidir a importância delas na minha vida.
Sou a primeira a defender os círculos sociais na rede, mas confesso que tanta interação superficial e efêmera tem me incomodado. No momento, um blog basta. O suficiente para continuar transformando, como sempre digo, meus sentimentos em letrinhas.

Eu lia. Antes da internet.

Aprendi a ler muito cedo e essa foi a minha salvação durante a infância. Televisão? só na casa dos outros, na minha não tinha...  Enquanto o...